Bolívia - Miséria e belezas naturais

Mochilão: Bolívia 8 dias de aventura!

Parte 01/2 - (Atravessando a Bolívia de ônibus)


Relatos pré viagem

Assim como na maioria das viagens que já fiz, a ideia e a programação surgiram em um churrasco na empresa onde eu e um amigo trabalhamos.
Ele comentou que tiraria férias de 20 dias dentro de 3 semanas, que não sabia o que fazer, mais que estava com a ideia de ir para Machu Picchu.
Ouvindo esse papo lancei o desafio...

" Rowan, eu vou com você, e na segunda-feira vamos comprar as passagens".

Na segunda compramos as passagens e nas 2 semanas seguintes recolhemos informações com amigos que haviam feito o roteiro um ano antes.

Caímos na estrada sem muita programação, mas com o que é o mais importante para a realização deste tipo de viagem: espirito de aventura!!!




“Desde pequeno, achava que um dia poderia viajar o mundo, velejando, caminhando, vagando por aí, sem a importância do material, somente vivendo de luz... Bom, esta parte da luz eu acho que foi obra da minha mente sórdida. Quando adolescente, achava que esta doença por viagem iria ter um fim. Pobre inocência. Já com 22, quando realizei minha primeira viagem internacional, através de um programa de estudantes de 3 meses para EUA (Telluride-CO), foi instaurado na minha essência uma tremenda sensação de prazer na viagem" 

A ideia era visitar MP atravessando os dois países ( Bolívia e Peru) de ônibus ou trem. Com isso em mente, no período que antecedeu a viagem ,contatei um amigo meu (Marco Paulo), que na época morava em Corumbá – MT e avisei que tinha a previsão de passar uma noite por lá antes de tomar o fatídico "trem da morte"

Já começo aqui a tecer alguns comentários sobre este trem: Quando falei que iria com o "trem da morte", minha "véia" quase teve um mini AVC. Não têm nada para temer! É um trem normal com requintes de animais silvestres, frango de tudo quanto é tipo, cheiro de flores que causam náuseas e paradas com frequência.
Vou dividir a viagem em 2 partes para enfatizar os detalhes. Neste primeiro post vou falar sobre o caminho de Corumbá até a divisa entre Bolívia e Peru.

Dia 01

Avião
Curitiba -> Corumbá
Chegamos na hora do almoço por lá e seguimos para a casa daquele amigo que contatei. Nos hospedamos por lá.
Nada muito interessante neste dia. "Arrepiei" o ar condicionado da casa do Marco e peguei no sono.

Dia 02





Tomamos o trem na estação a tarde, em um calor sufocante, com destino a Sta. Cruz de la Sierra.



Chegamos lá pela manhã, atravessamos a Bolívia de táxi e fomos comprar algumas coisas/lembranças para levar na viagem.



Entre essas coisas, compramos 10 camisetas do Brasil (R$ 10,00 cada), pois sabíamos que os Peruanos e Bolivianos adoram a seleção brasileira e isso poderia nos proporcionar ótimas experiências e até ser usada como moeda de troca em algum momento. 
E foi exatamente o que aconteceu... (Aconselho à todo viajante que por ventura realizar um trajeto parecido como o da minha viagem, que faça uma compra de artigos que têm referência ao Brasil); Fiz a mesma coisa na Rússia, levando Havainas, e troquei por uma andarilhada de 10h!



Falando um pouco mais sobre o trem... primeiramente, o nosso vagão não tinha ar condicionado e o calor no começo da viagem já me deixou irritado! Decidimos, por um ato de "coragem", mudar para um vagão melhor. (decisão que não é certa e nem muito sábia, rsss) 

Já no outro vagão, perguntei ao comissário quanto tempo faltava para a próxima estação e ele me respondeu "4 horas".

Sendo assim, sentamos no vagão confortável e peguei no sono tranquilo, sabendo que tinha mais 3h de "conforto". Porém, 20 min depois, o trem parou e acordei com uma gaiola de galinha no colo e uma boliviana gritando "Rala-te, rala-te.."
Peguei minha mochila, ainda sem saber o que estava acontecendo ao certo e fui até minha poltrona que estava marcada.

Lá chegando, tive outra surpresa; Haviam 2 elementos dormindo nelas. Certamente pensaram a mesma coisa... Mudaram dos vagões de óleo mineral (sim, eu disse vagão de óleo mineral) e foram se aconchegar no nosso vagão...
Usei a mesma tática que a mulher das galinhas, rss... Eles acordaram me xingando, mas como tenho uma altura diferente dos bolivianos (gigantesco perto deles: 1,78m rsss) resolveram sair.

Daí em diante, não consegui mais dormir, eram paradas quase de 30/30min... As horas no trem foram tensas...


Ah, bem lembrado...  não sei como, o Rowan deu falta de U$100 no dinheiro dele. Muito provavelmente, um frango criou vida com o calor e na hora da saída deve ter "passado a asa".. Porém, esse mistério permanecerá incolor, insípido e nunca, nunca, inodoro!
Resumo do dia e noite: Trem - Porto Quijaro - Santa Cruz de La Sierra, llama, galinha e toda a comissão de frente do bloco "Unidos do Noé"!


Dia 03



Chegamos em Sta. Cruz de la Sierra e logo fomos para a rodoviária para comprar os bilhetes com destino à La Paz.
Passagens compradas para a noite, (preferimos viajar de noite em todas as viagens, para ganharmos tempo e não pagarmos hostel) fomos andar por Sta. Cruz. Confesso que não existe muita coisa interessante por lá.
Visitamos a Plaza de Armas, como de costume em todas as cidades colonizadas por espanhóis.
Barganhamos 2 horas em um hotel perto da rodoviária e conseguimos tomar banho! Logo, saímos para comer em um restaurante no centro de Sta. Cruz.



 A noite, pegamos o ônibus Santa Cruz de La Sierra -> la Paz ( não lembro se fui abduzido, dormi).

Dia 04


Ainda no ônibus, um frio absurdo me acordou pela madrugada. Da janela, avistada ainda sem muita luz, um penhasco na escuridão. Era sinal que La Paz estava chegando.
La hoja de coca no es droga
La Paz, para quem não está acostumado com altitude, é complicado. Quando vemos os jogadores de futebol reclamando da altitude, sempre pensamos que é corpo mole, ou frescura. As primeiras horas, particularmente, foram desgastantes. Dores de cabeça por conta da falta de ar foram frequentes.

Pegamos um hostel próximo ao mercado de Pulgas. (infelizmente não lembro o nome, mais era bom),  Já havíamos lido que em la Paz existem 2 coisas legais de se conhecer: Chacaltaya e Tihuanaco.

Chacaltaya é considerada por muitos pesquisadores, o símbolo do aquecimento global e da mudança climática mundial. Até 1990, a neve cobria a montanha de imponentes 5600m de altitude, tendo como atração principal o chair-lift ( aquelas cadeirinhas que levam os esquiadores até o topo da montanha) e a própria montanha, que por muito tempo foi considerada a estação de ski mais alta do mundo!
Como chegamos no hostel pelas 10 da manha, havíamos "perdido" o dia, pois os ônibus para Chacaltaya e Tihuanaco saem as 8 da manha.
Neste momento, um setting já pré programado realizou uma mudança nos meus neurônios e por conta da falta de ar, resolvemos contratar um táxi para nos levar a Chacaltaya. Por incríveis R$50,00 fechamos um acordo.
Saímos às 13:00hrs do hostel em direção a montanha; Passamos por El Alto, um "braço" de La Paz situada aproximadamente 1000m acima da capital boliviana. Subimos em uma estrada estreita e cheia de curvas até a base de Chacaltaya.

Até este exato momento, lembro perfeitamente dos detalhes, do cheiro, das cores... A partir daí posso dizer que as informações são provenientes de lapsos de memória misturados com informações repassadas através de vídeos e fotos, que mostram no meu corpo as reações da falta de ar num ser humano não capacitado e não acostumado com regiões acima de 3000m. 
Não encontramos, como esperado, nenhuma super estação de ski por lá. A esperada neve também não esteve presente devido a baixa umidade e a alta temperatura no lugar.

No exato momento que saí do táxi, a vista estremeceu, os sentidos começaram a desligar um a um; Após a visão, meus músculos iniciaram um processo de degeneração e colapso. Fiquei branco cor de cola tenaz! Conforme pode ser observado em fotos, somente com chá de coca a cor do lábio e da face voltou  ao normal (tomar chá de coca é super comum por lá).
A altitude me deixou atordoado! 


Enquanto eu permanecia em estado vegetativo momentâneo, meu parceiro de viagem subia os 300m que distanciava o ponto em que estávamos até o cume da montanha, cuja altitude é de 5580m.

Vendo aquela cena de derrota, mais uma vez iniciei um processo de recuperação sob influencia de Coca e fui melhorando.





5 minutos depois estava caminhando e seguindo a trilha do Rowan; Passo a passo, fui conquistando os metros que restavam, até chegar, exausto e sem forças, no ponto mais alto que já alcancei na minha vida até a data presente.

Daí em diante, não lembro mais dos fatos. Sei que voltamos para a cidade com o mesmo taxi, comemos algo diversificado e fomos dormir...

Dia 05


Acordei com uma dor de cabeça absurda, muito provavelmente ocasionada pelo tremendo esforço que fiz no dia anterior... A sensação do "mal da altitude" é algo que pode ser traduzido como a broca de um dentista no bulbo, ou algo similar como as armadilhas de "jogos mortais"  ... Horrível as pontadas e a vertigem. 
Após me recompor a base de remédios e aspirina, compramos o passeio no hostel mesmo, para Tihuanaco ( um extinto povoado inca, onde suas ruínas e vários monolitos foram extremamente conservados, garantindo aos turistas sentir a atmosfera do ambiente que um dia foi habitado por essa extinta civilização.


Vale a pena visitar o local; Para o conhecimento da história, para saber que aquele povo tinha antigamente o lago Titicaca como fonte de alimento e água, embora hoje saibamos que ele está a vários km de distância de lá.
Após o passeio voltamos para o Hotel. A noite, fomos comer no Hard Rock;

Dia 06

Acordamos as 7:30, tomamos café, fizemos check-out e saímos em direção a rodoviária.
Compramos passagem para Copacabana.
Ônibus na Bolívia e Peru significa alguma forma de locomoção previamente modificada, apenas caracterizada de ônibus, que contem em sua grande maioria traços e vestígios de caminhões importados dos EUA ou do Oriente, comprados mediante sucata; A Carroceria, geralmente brasileira, de péssima qualidade, e motor suficiente apenas para se mover. Sem nenhum luxo! ou melhor... um Lixo!


Já dentro do veículo 4x2 denominado de ônibus, fui presenteado sob influência dos deuses Incas com um belo exemplar típico da região: uma Chola! Sentei ao lado dessa típica boliviana com aquele conjunto de saias tradicionais (em geral 7), com um cheiro peculiar que até hoje me faz lembrar de CADA KM daquelas 3 horas de viagem!
Eis que em uma das paradas, esta abençoada senhora desce ao lado da porta, ergue o conjunto de saias, exalando um cheiro tradicional, e urina muito. ( como uma cabra, ovelha, ou qualquer animal de grande porte que sustenta litros de urina na sua bexiga). Era capaz de molhar os pés de alguém a 1 metro de distância sem muito esforço!Passei quase toda a viagem sentado ao lado dela, com meu nariz encapsulado e vedado por uma embalagem de batata pringles pela metade. Sou capaz de diferenciar cheiro de batata à distância desde então! hahaha

Quase chegando em Copacabana, tomamos uma balsa que aceita somente as pessoas, sem malas, uma vez que o "ônibus" atravessou o lago em outra balsa com uma equipe do exército boliviano.
Lá chegando, fomos a um hotel ($ 40 bolivianos - por volta de U$4 por pessoa!!!), tomamos banho, guardamos as coisas e saímos para contratar os passeios pelas ilhas da região.




Compramos o passeio para a manhã seguinte:
·         Isla del sol;
·         Puno;
·         Ilha de Urus;
·         Onibus para Cuzco.

Não lembro de valores, mas lembro que foi bem barato. 

Dia 07

De manhã, fomos de lancha até a Isla del Sol; A ilha é algo inacreditável!!! A água cristalina e o Sol escaldante afloram a sensação de estar em um lugar denominado Paraíso.



Entendo o porque tantos viajantes e caminhantes resolvem permanecer na ilha por um longo período de tempo; Conversei com um Eremita habitante de lá e lembro com perfeição da sabedoria do jovem senhor; Referindo-se sobre a Terra e seus habitantes como uma forma material de luz e amor. Muitas das coisas que ele me falou utilizo até hoje na minha caminhada; Uma sabedoria muito utilizada, que me conforta ao ver uma atitude infame, é que nesta vida, quem possuir uma alma boa, no máximo sai no "zero a zero"; Mediante esta informação, pobre dos ruins de alma! 

Porque "raios" Cassia Eller resolveu disseminar a informação repassada por Nando Reis através do relicário: "O mundo está ao contrário e ninguém reparou"? 
Talvez ela mandou um recado para os caretas... 


O dia todo andamos e conhecemos a ilha; Fiquei até com vontade de dormir por lá, porém não fui preparado para tal evento!

Dia 08


Dia de acordar com o objetivo da travessia da primeira fronteira.

Acordamos cedo, arrumamos as malas e saímos com direção à Puno, cidade perto da fronteira entre Bolívia e Peru (via Tourperu).

A viagem durou cerca de 3h , em um ônibus verdadeiro agora, e foi bem mais agradável do que até Copacabana.

Na Alfândega, apresentamos o passaporte (a passagem pode ser feita somente com a identidade brasileira) e passamos sem maiores problemas.
A primeira llama 

Termino por aqui o relato da viagem pela Bolívia...


A conclusão que tiro, é que o País tem muitos pontos turísticos e que tenta, da melhor forma, através dos seus recursos movimentar a economia. 



Tem muita abundância de recursos naturais!



Infelizmente, em um lugar pessimamente administrado desde os primórdios, com um pensamento de retrocesso e socialismo barato, liderado pela figura de Evo Morales ( Não ouse falar mal sobre ele, você será alvejado repentinamente por ninjas bolivianos)!

Para aquele povo, o tratamento de igualdade deu lugar a famigerada massa clamando por alimento e dinheiro.

Este é o meu parecer sobre a Bolívia: Lugar adorável e de fácil acesso ao brasileiro! 



Abraço!

Engenheiro Andarilho




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Quem é o Engenheiro Andarilho

Um louco apaixonado; Um maluco diferente Engenheiro Mecânico por opção e paixão, trilho meu caminho em meio a viagens, cálculos e motores pelas estradas neste mundão véio. Casado com alguém que conseguiu entender um pouco mais do meu modo de pensar, estudo coisas que me fazem refletir sobre a essência dos humanos neste grão chamado Terra. Apaixonado por fotografia, tento de diversas maneiras, através desta arte, motivar as pessoas à descobrirem que a vida que lhe foi concedida não é resumida no pedaço de Terra que ela habita. Muitas coisas estão por vir... Vamos atrás dos nossos sonhos!!! Let´s make it possible