Altitude - O Mal necessário para conhecer o mundo!








Doença da altitude


Um tema recorrente na minha vida é o comportamento do meu organismo em altitudes elevadas. Por inúmeras vezes sofri os efeitos do “mal da montanha” e depois de pesquisar muito, vou relatar minhas constatações com alguns exemplos pessoais.

Quanto maior a altitude, menos oxigênio disponível! Basicamente, seus efeitos são ocasionados pelo deslocamento para estes locais em uma velocidade maior que a capacidade do organismo; A exposição nestas condições podem ocasionar desde sintomas leves, como dor de cabeça, até doenças fatais, como edemas pulmonares e cerebrais.






Por incrível que pareça, não depende do modo que o individuo chegou ao local e nem da sua capacidade física. Exemplo maior foi quando alcancei os 5600m em Chacaltaya, Bolívia. Estava bem preparado fisicamente, mas senti muito mais os efeitos que meu amigo, que não praticava nenhum tipo de atividade física! Sem nenhum medicamento, o jeito foi apelar para um litro de Chá de Coca (que não tem nenhuma comprovação científica que contribua para melhora em altitude), no entanto, melhorei !!!




Riscos



Momento engenheiro:



O ar atmosférico tem em sua composição 21% de oxigênio. A pressão atmosférica, ao nível do mar, é de 760 mmHg (milímetros de mercúrio), o que corresponde a uma pressão parcial de oxigênio de 159,6 mmHg (21%). Em um local com 2500 metros de altitude, a pressão atmosférica é de 544 mmHg e a pressão parcial do oxigênio é de 114,4 mmHg. A 5000m a pressão parcial do oxigênio é de 420 mmHg 88,2 mmHg.



Resumindo, em 5000m o ser humano possui disponível um nível de oxigênio 44,8% menor do que em nível do mar, sem contar as outras variáveis climáticas.

Quando a concentração de oxigênio fica reduzida, os sensores do corpo ficam loucos à procura de algum artificio que balanceie esta equação; Daí a sensação da falta de ar, consequência do aumento da frequência respiratória e cardíaca (taquicardia) para compensar a redução da oxigenação.
Acima de 1.500 metros podem aparecer sintomas, porém são mais frequentes em altitudes superiores a 2.500 metros e estão relacionadas com a velocidade de subida, a altitude máxima atingida e características fisiológicas individuais (como a capacidade de hiperventilar).
A doença da altitude pode afetar qualquer pessoa, mas são mais frequentes em crianças, grávidas (recomenda-se não ultrapassar 3600m) ou com doenças de base (cardíacas, pulmonares, anemia...).


Medidas de proteção



O risco de doença da altitude pode ser reduzido através de aclimatação adequada. Acima de 3000m, a velocidade ideal recomendada é subir no máximo 600m entre acampamentos. Para escaladas que exigem muito esforço, ainda se recomenda a utilização de câmara hiperbárica portátil, para criar um ambiente semelhante ao de altitudes mais baixas.


Quando morei em Telluride,EUA (2600m), passei 1 semana com fortes dores de ouvido. Fato este ocasionado pela subida rápida com uma diferença de pressão muito abrupta. A recomendação é mastigação constante ( chicletes, gelo...) e de tempos em tempos tampar o nariz e pressionar o ar para equalizar a pressão. Estes procedimentos servem também para quem sofre com viagem de avião.
Em La Oroya, Peru ( local onde está o trem mais alto do planeta) passei por um desafio diferente. Durante 2 semanas fiz um processo não muito desejável para o corpo humano. Subi de Lima, que está ao nível do mar, até lá (4820m) de automóvel. Para conter a dor de cabeça, recomendo muito "o tal" do Sorojchi Pills. Muito bom!
Já no Chile, na região de São Pedro do Atacama, realizei muitas viagens a fim de calibrar motores em altitudes extremas. O trajeto consiste em sair da base ( 2300m) até o ponto mais alto, que faz divisa com a Bolívia ( 4800m). Tudo isso em uma distância de 40km. Os sintomas mais frequentes são sonolência, tontura, falta de ar; Evite dirigir sozinho.
Além do risco de explosão de batata frita!!! rsss

Em La Paz, Bolívia, as coisas foram mais complicadas. Cheguei via Santa Cruz de la Sierra, com uma diferença abrupta de altitude ( La Paz – 3660m). Lá entendi que o tal “corpo mole” dos jogadores de futebol fazia algum sentido. A dor de cabeça geralmente inicia 6-12h após a chegada.


Os médicos e guarda-parques de escalada recomendam seguir a seguinte tabelinha:



Dor de cabeça/ insônia = 1 ponto
Náuseas ou perda de apetite = 1 ponto
Oligúria (falta de urina) = 3 pontos
Vertigem = 1 ponto
Cefaleia resistente à aspirina = 2 pontos
Vômitos = 2 pontos
Falta de ar em repouso = 3 pontos
Fadiga anormal = 3 pontos
1-3 pontos LEVE aspirina ou paracetamol
4-6 pontos MODERADO aspirina, repouso e suspender subida.
+ de 6 pontos SEVERO abaixar rapidamente




Eles não aconselham a tomar diamox, pois há vários casos de desidratação aguda.




Recomendações para altitude




Procurar orientação médica com antecedência, quanto aos riscos, manifestações doença da altitude e ao uso de medicamentos.



Aprender a reconhecer as manifestações iniciais das doenças relacionadas com a altitude. As crianças de baixa faixa etária podem apresentar irritabilidade e perda de apetite.

Não utilizar recursos sem comprovação da eficácia (como o chá de coca).



Nos deslocamentos rápidos (avião, carro) para locais de altitude elevada, evitar durante a estada (mais importante nos dois primeiros dias) bebidas alcoólicas, grandes quantidades de alimentos e atividades que exijam esforço físico excessivo.

A ingestão de líquidos (água, principalmente) é importante para manter a hidratação adequada. As gestantes devem evitar os locais com altitude superiores a 3600 metros.

Nas caminhadas ou escaladas é essencial o acompanhamento feito por guias experientes. Programar aclimatação adequada. A subida dever ser lenta e gradual e as paradas para pernoite devem ser em altitude sempre inferior à que foi atingida durante o dia.


"Nenhuma medida substitui a aclimatação adequada. Materiais específicos para suporte, como suplemento de oxigênio, câmara hiperbárica portátil e dispositivo de ventilação não invasiva, devem estar disponíveis em caso de necessidade. Adquirir ou viajar com guias que disponham destes equipamentos.

Não continuar a subida, enquanto as manifestações iniciais da doença da altitude não desaparecerem. Ao ocultá-las, o viajante estará colocando em risco a própria vida. Se houver piora do quadro inicial ou persistência das manifestações, o viajante deve descer pelo menos 500 metros, o mais rápido possível.

Em casos com suspeita de edema cerebral ou edema agudo de pulmão, a descida deve ser feita imediatamente, de preferência com suplemento de oxigênio. Se a descida imediata não for possível, deve ser utilizada uma câmara hiperbárica portátil até que ocorra a melhora das manifestações.

O edema cerebral é uma progressão das manifestações iniciais da doença da altitude. É uma condição grave, relativamente rara, caracterizada pela perda da coordenação dos movimentos (com alteração da marcha) e diminuição do nível de consciência, podendo evoluir para coma e, em seqüência, ocasionar a morte. Comumente está associado com o edema pulmonar, uma outra forma de manifestação da doença da altitude. O edema pulmonar, que geralmente ocorre 2 a 4 dias após a chegada, pode se apresentar isoladamente ou em associação com o "mal da montanha" ou com o edema cerebral. As manifestações iniciais do edema pulmonar são cansaço excessivo, falta de ar e tosse seca que progride para expectoração sanguinolenta. Quando ocorre o edema cerebral ou o edema pulmonar, o atendimento médico deve ser procurado o mais rapidamente possível. O sucesso no tratamento depende do início precoce das medidas de suporte. Nas escaladas, o viajante deve ser levado imediatamente para uma região de menor altitude, fazendo o mínimo possível de esforço físico e utilizando oxigênio. Caso a descida imediata não seja possível, deve ser utilizada uma câmara hiperbárica portátil ou, se não disponível, oxigênio suplementar. Adicionalmente, pode ser necessária a administração de medicamentos (dexametasona, nifedipina etc.)."
Fonte :Centro de Informações em Saúde para viajantes


Espero que as dicas possam te ajudar nas aventuras nas alturas!


Abraço

Engenheiro Andarilho

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Quem é o Engenheiro Andarilho

Um louco apaixonado; Um maluco diferente Engenheiro Mecânico por opção e paixão, trilho meu caminho em meio a viagens, cálculos e motores pelas estradas neste mundão véio. Casado com alguém que conseguiu entender um pouco mais do meu modo de pensar, estudo coisas que me fazem refletir sobre a essência dos humanos neste grão chamado Terra. Apaixonado por fotografia, tento de diversas maneiras, através desta arte, motivar as pessoas à descobrirem que a vida que lhe foi concedida não é resumida no pedaço de Terra que ela habita. Muitas coisas estão por vir... Vamos atrás dos nossos sonhos!!! Let´s make it possible